Roteiro Gastronômico: Lisboa

Roteiro Gastronômico: Lisboa

Gastronomia Georgiana - KARATER, Bairro Alto

Depois de 20 anos a viver em Portugal, Guram Baghdoshvili voltou para a Geórgia, onde abriu restaurantes e ganhou mediatismo. Agora, o Chef regressou a Portugal e abriu um restaurante cheio de carácter.

Desde o final de Outubro que, no Bairro Alto, tem sido entra e sai para provar (e repetir) a comida georgiana com um twist português, sempre com atenção ao produto e cuidado na cozinha. O espaço era uma antiga leitaria, fechada há 30 anos.

Na carta, Guram destaca, por exemplo, a beringela, tão pouco explorada por cá. E no Karater, tanto é servida como chips com sal de Svaneti, mel de castanha, romã e vinagre, como com uma emulsão de nozes. Destacam-se ainda os khinkali, símbolo da cozinha georgiana, podem ser servidos na sua versão tradicional, que o chef aconselha a comer-se com a mão. E o guloso khachapuri, que à primeira vista podem fazer lembrar uma pizza, em que a massa de pão tem a forma de um barco e é coberta com uma mistura de queijos, manteiga e um ovo cru por cima, também não foi deixado de fora.

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Peixaria Moderna - SEA ME, Bairro Alto

Chama-se peixaria moderna, mas é já um clássico da cidade. Ao fundo, perto das mesas, fica a montra de peixe fresco, de apanha diária – e dali pode ir para a grelha ou para peças de sushi. Se não quiser escolher, entregue-se nas mãos de quem sabe e descubra o peixe à sua medida em nove momentos.

Umas portas ao lado, encontra o Sea Me Next Door. Se na casa-mãe a ideia é deixar-se estar e descobrir o peixe para além do marisco, neste novo espaço o marisco e os petiscos são as estrelas. É perfeito para refeições rápidas sem hora marcada, já que a cozinha nunca fecha.

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Culinária Marroquina - FLOR DA LARANJA, Bairro Alto

Rabia Esserghini garante que o Flor da Laranja, restaurante que abriu no Bairro Alto em 2004, é o único restaurante verdadeiramente marroquino no centro de Lisboa, especialmente depois do fecho do Pedro das Arábias e do Ali-a-Papa.

Continua a servir bons pratos do país, sem nunca ter introduzido outro tipo de comidas para agradar a turistas. Há tajines de borrego com ameixas caramelizadas, que acompanham com batata doce, sultanas, mel e canela, favas com azeite e azeitonas, espinafres com limão ou beringela com tomate, ou cuscuz tradicional. Só abre para jantares.

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Sabores de Goa - LARANJA TIGRE, Bairro Alto

Temos dois ou três bons restaurantes de cozinha goesa tradicional. A culinária goesa é uma pérola da gastronomia mundial, um híbrido extraordinário da culinária indo-portuguesa. Foi isso, precisamente, que fez este Laranja Tigre, ocupando o lugar do Calcutá, ali ao pé da Praça Luís de Camões.

Décadas atrás, o Calcutá serviu bem o propósito de nos forrar o estômago a tikka masala antes de ele se intoxicar de uísque espanhol servido em copos de plástico nos buracos do Bairro Alto. Mas muita coisa mudou em 25 anos e, neste caso, para melhor.

O Laranja Tigre agarrou na memória boémia do Calcutá, juntou Goa e Lisboa, acrescentou uns toques de chef aqui, bom produto português ali, abanou, girou e serviu algo próximo do que seria um goês de autor.

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Fado e Tradição - ADEGA MACHADO, Bairro Alto

Local noturno fundado em 1937, conhecido pelo fado tradicional e autênticos pratos locais, num ambiente decorado com fotos históricas e arte. Uma verdadeira viagem no tempo no coração do Bairro Alto.

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Vista para o Rio - BONANÇA, na doca de Belém

Na Doca de Belém, na mais antiga associação náutica da Península Ibérica, abriu o Bonança, imponente e bonito, depois de um grande investimento de diferentes sócios, nem todos ligados à restauração, que viram ali a oportunidade de criar um “espaço de alegria” e de “trazer mais vida à beira-rio”.

O majestoso mural que abraça a sala, pintado em 1940 e que retrata o cortejo da embaixada de D. Manuel ao Papa Leão X em 1514, agora recuperado, serve de mote. É impossível ficar indiferente à pintura, recuperada pelo WOA – Way of Arts. Pode comer-se logo ali, mas há mais mesas no piso em cima, sem que se perca a vista para o mural – o pé direito tem cerca de dez metros e ao todo há 150 lugares (sem contar com a esplanada que já existe, mas ainda não está a funcionar).

Em cima, na verdade, ganha-se também a vista para o rio. Na cozinha, o peixe e o marisco estão na base de tudo, com algumas influências do mundo. Veja-se a barriga de atum rabilho com ponzu e wasabi ou o carpacio de camarão vermelho com ovas de truta e vinagrete de yuzu kosho, mas são os arrozes como o de carabineiro com limão e harissa que são a grande aposta. À noite, aos fins de semana, há ainda espaço para dançar.

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