Fascina o visitante pela atmosfera mediterrânea, os centros históricos, cidades artísticas, pequenas aldeias de pescadores e pelos sítios arqueológicos. Ilha formada a partir de vulcões, em uma área de convergência entre as placas tectônicas Eurasiática e Africana, tendo o ETNA o mais ativo da Europa. Embora as erupções sejam ameaça constante, o vulcão também é a origem de solos ricos em minerais que sustentam a flora e a fauna locais, além de uma agricultura próspera, representada nos aromas dos limões e laranjas.
A ilha foi originalmente habitada pelos povos ciganos e sicilianos, segui colonizada pelos gregos, os quais fundaram Siracusa em 734 a.C. (Magna Grécia: berço do matemático Arquimedes), importante centro cultural e econômico na época. Nos séculos seguintes, a Sicília foi governada por diferentes potências estrangeiras, incluindo os romanos, os vândalos, os bizantinos, os árabes, os normandos, os espanhóis e os burbons. Cada uma dessas culturas deixou sua marca na ilha, resultando em uma mistura única de tradições e culturas.
Durante a Idade Média, a Sicília tornou-se um importante centro comercial e marítimo, através dos portos de Palermo, Messina e Catania. No século XII, a ilha foi conquistada pelos normandos, que fundaram o reino independente da Sicília, que durou até o século seguinte. Durante a era moderna, a Sicília sofreu muito com as guerras e conflitos, incluindo a luta contra a máfia siciliana, que se tornou uma grande ameaça para a segurança e a estabilidade da região. No entanto, a ilha se recuperou e se transformou em um importante centro de turismo.
Hoje, a Sicília é uma região autônoma da Itália, com sua própria história, cultura e idioma. A ilha continua a ser um importante centro de produção agrícola e vinícola, além de destino turístico popular, por suas belas praias, monumentos antigos e deliciosa culinária. Ela voltou para os holofotes dos turistas graças a segunda temporada da série da HBO “The White Lótus” - além de ter uma trama envolvente, a série apresenta paisagens deslumbrantes da costa siciliana.
As leis italianas exigem que o cidadão proveniente de um país fora da União Europeia apresente a PID acompanhada da habilitação normal.
PALERMO
Uma das cinco maiores cidades da Itália, é rica em história e cultura, ar mediterrâneo e sua famosa culinária. A capital da Sicília possui relevante patrimônio artístico e arquitetônico que vai dos restos de muros púnicos a vilas de estilo liberty, passando de residências em estilo árabe-normando, às igrejas barrocas e os teatros neoclássicos. O coração da cidade está entre as avenidas Via Maqueda e o antigo Corso Vittorio Emanuele. Na região histórica dos ‘Cuatro Canti’ (praça octogonal) concentram-se: Teatro do Sol (séc. XVII) adornado com estátuas das estações do ano; a Capela Palatina, em estilo árabe, localizada no Palácio dos Normando, que hoje é o Parlamento Siciliano; Igreja de São João dos Eremitas – imperdível pela decoração em estilo árabe e majestosos jardins; Igreja de São José Theatine – um grande exemplo do estilo barroco, com uma das mais belas fachadas já construídas na Sicília; Teatro Mássimo – dizem ser um teatro que é assombrado pelo fantasma de uma freira. A Catedral de Palermo é um complexo arquitetônico caracterizado pelos diferentes estilos, devido a um longo histórico de modificações e restaurações. Um pequeno furo em uma das cúpulas menores funciona como câmera Pinhole, projetando a imagem do sol no chão ao meio-dia. Ali próximo estão os Palácios Real Normandos, Montreal e Montepellegrino. Ao lado, na Praça Bellini estão as igrejas San Cataldo e Martorana (dizem que é a mais bonita da capital).
Outras atrações que valem a pena visitar estão próximas à Palermo: o belo e famoso Castelo de Zisa, o qual foi inspirado pelas influências dos egípcios e norte africanos, os mercados populares de La Vucciria e Ballarò, as catacumbas dos Capuchinos e o Museu dos ‘Puppets’ (Fantoches), os famosos bonecos da Sicília.
MONREALE

A catedral de Monreale é uma das grandes atracções da Sicília. Fundada em 1172, pelo rei normando Guilherme II, foi oferecida posteriormente a um mosteiro da Ordem Beneditina. O interior está decorado com mosaicos de artífices sicilianos e bizantinos. Originalmente, deveria servir para um sepulcro real... Os claustros da catedral são uma obra-prima de expressão artística normanda, da época de Guilherme II, com colunas lisas, esculpidas ou com azulejos que sustentam capitéis, a partir dos quais partem arcos sarracenos. Outros motivos de interesse nesta catedral são o exterior da abadia, o túmulo dos reis Guilherme I e II, o mosaico de Cristo Pantocrator, o painel da Porta de Bronze e a entrada da Cappella del Crossifisso e do Tesouro.
TRAPANI
Fundada no séc. 11 a.C. , é mais uma daquelas cidades europeias que respira história, tendo passado pelo domínio de romanos, bizantinos, árabes e normandos. A cidade tem forma de meia lua. Reza a lenda que a cidade ‘nasceu’ de uma foice caída das mãos de Saturno, o deus patrono da cidade. Trapani se desenvolveu pela extração e comercio do sal pelo porto bem localizado, sendo porta de entrada e saída para Eryx. Hoje a economia da cidade vive (ainda) da extração e o comércio de sal (“ouro branco”, visite o Museu do Sal**), importação de mármores, algumas atividades agrícolas e, claro, o turismo. No século passado, durante a II Guerra, muitos dos monumentos e templos no centro histórico foram destruídos por bombardeios, restando: o Palazzo Senatorio, com as três estátuas da obra de Giuseppe Nolf, de 1700; a Catedral de San Lorenzo, em estilo normando e algumas influências do séc. XVII; e Torre dell´Orologio, do séc. XIII, tendo quadrantes distintos do sol e da lua, os ponteiros do quadrante do sol não indicam o horário, mas sim os signos do zodíaco, os solstícios, equinócios, estações do ano e pontos cardinais. O quadrante da lua indica as fases da lua.
** sal é macio e leve, com menor teor de cloreto de sódio, mas com maior presença de potássio e magnésio do que a média. É processado e colhido manualmente, sem qualquer tipo de tratamento químico.
O principal ponto visitado pelos turistas é o vilarejo medieval de Erice, construído no topo de uma montanha de quase 800 metros de altura. Tem casinhas assobradadas e geminadas, construídas em pedra, em tons puxados do marrom e bege. No entanto, não tem o mesmo charme da terra do Napoleão (Bonifácio), com uns 100 moradores, mesmo com os muitos turistas zanzando pra lá e pra cá quase não se vê os residentes. Trapani também faz parte das Rotas Do Vinho.
Nesta região encontra-se o Parque Arqueológico de SEGESTA, entre Castellamare del Golfo e Trapani. Do séc. V a.C., foi fundada pelos elímios (refugiados de Troia). Restam o Templo, incrivelmente conservado (não se sabe a qual divindade era dedicado) e o Teatro (com capacidade para 4.000 espectadores).
Saindo de Trapani, no Vale do Belice, visitam-se as cidades fantasma, Poggioreale e Gibelina, as quais foram devastadas em 15 de janeiro de 1968 por violento terremoto. Decidiu-se não restaurar as casas, pois acreditava-se que seria um gasto maior do que se a cidade fosse reconstruída em outro lugar. E exatamente isso que foi feito: uma nova Poggioreale, mais “moderna”, foi construída a alguns quilômetros de distância da cidade atingida pelo terremoto. O prefeito de Gibelina decidiu chamar inúmeros artistas de fama internacional para contribuírem na reconstrução e criar uma cidade-museu. Porém, um artista Alberto Burri se recusou e sua ideia era deixar um rastro do passado através de uma obra moderna. Ele realizou o “Grande Cretto“, uma obra que compacta os 12 hectares de ruínas em uma única peça de cimento branco.
AGRIGENTO

Tesouro da Humanidade certificada pela UNESCO, está em uma área arqueológica da Sicília, caracterizada pelo excepcional estado de conservação e pela existência de uma série de templos dóricos provenientes do período Helênico. São mais de 50 edifícios, entre igrejas, monastérios e santuários, que enriquecem as estradas da cidade. Passando pela Porta da Ponte chegamos a Via Atenea, a antiga rua principal, onde os palácios dos nobres e as vitrines das lojas servem de fundo nos longos passeios por Agrigento.
Imerso no verde das oliveiras, das amêndoas, dos pomares cítricos e vinhas que se estendem em direção ao mar, fica o Vale dos Templos. Além dos restos de nove dos dez templos que existiam no local, há três santuários, uma grande concentração de necrópoles ou catacumbas, obras hidráulicas romanas, parte de um bairro helênico e romano construídos sobre antiga planta grega, dois importantes locais de reuniões públicas da época, a Ágora inferior, próximo aos restos do templo de Zeus e o Ágora superior próximo ao complexo do museu. Chegando lá, percorre-se uma “via sacra”, onde estão dispostos os principais templos do parque: Templo de Hefesto (conhecido como Templo de Vulcano), Santuário das Divindades Catônicas, Templo de Castor e Pólux, Templo de Zeus do Olimpo, Túmulo de Theron, Templo de Hércules, Templo da Concórdia e Templo de Juno.
A menos de 15 km do Vale dos Templos, encontra-se a magnífica Scala dei Turchi, uma parede rochosa que se ergue no mar, ao longo da costa, em formato ondulado e de cor branco intenso, parecendo estar sobre uma geleira em plena Antártida, no entanto, está em uma das zonas mais quentes da Itália. O nome, provavelmente, deriva do fato que os piratas sarracenos, definidos turcos pelos sicilianos – mesmo sendo árabes, usaram este lugar como abrigo já que é a área com menos vento.
PIAZZA ARMERINA
No trajeto da autoestrada Catania-Palermo, entre três colinas, conserva edifícios barrocos, destacando-se o Duomo, no topo mais alto, com traçado medieval, tem aos pés ladeiras e escadarias com casas antigas. Em agosto ocorre o Palio dei Normandi, quando representantes de diversas paróquias disputam um torneio (como na Idade Média). Castello Aragonese é do séc. XIV; a Villa del Casale (a 5 km) deve ter pertencido a alguém importante do Império Romano, entre o séc. III ou IV d.C., Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, pelos mosaicos e figuras centrais (cunho meio erótico) de caça e mitologia.
Eternamente fumegante, o Etna, também chamado de Mongibeddu, é o ponto culminante da Sicília com 3.340 metros, quase sempre coberto de neve podendo ser visto de longe. É mais fácil visitá-lo por teleférico, jipe ou caminhada a pé até o cume.
CALTAGIRONE
No centro da Sicilia, a cidadezinha barroca é famosa pelas suas belíssimas cerâmicas produzidas há mais de mil anos. O ponto mais fascinante é a Escadaria de Santa Maria del Monte, onde compram-se as cerâmicas mais belas de toda a Sicília. O panorama do topo da escadaria é de tirar o fôlego. O centro histórico de Caltagirone foi reconhecido depois do desastroso terremoto de 1693, uma beleza barroca. A rica arquitetura e a beleza das fachadas são evidentes na Igrejas Santa Maria del Monte, de San Giacomo Apostolo e em palácios como a Corte Capitanale e o Museu Cívico.
SAN VITO LO CAPO

Na costa ocidental, a praia e a Reserva Natural do Cigano é o “caribe siciliano”, por sua areia branca e águas cor de esmeralda, com pequenas lagoas rochosas. Foi a primeira área protegida da Sicilia em 1981, com 1.600hectares.
RAGUSA

Se você é fã de queijos e vinhos italianos está aí mais um motivo para incluir Ragusa em seu roteiro. A cidade é dividida em Ragusa Nuova e Ragusa Ibla, cercada por escadarias, subidas e descidas. É preciso ter fôlego para longas caminhadas. Na parte antiga, está a Igreja Santa Maria delle Scale. Descendo os degraus até as ruelas, segue-se à Catedral de San Giorgio - Duomo de Ragusa, construída em 1738, tendo sua cúpula visível de quase toda a cidade. Recupere-se na Gelati di Vini, famosa pelo sorvete de azeite de oliva, chocolate com pimenta e vinho tinto, finalizando a visita da Enoteca! A partir da Piazza del Duomo parte o trenzinho que percorre Ragusa. Os jardins do Museu Arqueológico de Ibleo, adentrado pelo Portal di San Giorgio, é o orgulho dos residentes.
O Castelo de Donnafugata inspirou o filme O Leopardo (Il Gattopardo), obra-prima de Tomasi di Lampedusa imortalizada no cinema por Luchino Visconti, narra a história de uma família aristocrática siciliana do século XIX, que se refugia no feudo de Donnafugata (uma mulher em fuga). O palácio tem 120 cômodos, mas só 20 são abertos à visitação. Villa Donnafugata também é citada no romance Um Certo Verão na Sicília, de Marlena de Blasi, a qual se inspirou no nome do castelo para criar o lugar fictício onde se passa a história.
Ragusa também participou da série O Comissário Montalbano, baseada nos livros de Andrea Camilleri, do delegado de polícia que se empenha a desvendar os crimes mais misteriosos, filmado em Vigata – cidade fictícia.
SIRACUSA

Siracusa é a cidade mais antiga e histórica da Sicília, devido ao maior porto natural a leste da ilha de Ortigia – núcleo urbano mais antigo e endereço do jet set internacional. Foi fundada pelos gregos, muito antes da chegada dos romanos. Faz parte do Patrimônio da UNESCO. Destacam-se o Teatro Grego, um dos maiores construído pelos gregos; o Anfiteatro Romano que é da era imperial; a Orelha de Dionísio no Parque da Neópolis, a Fonte de Arethusa, o Templo de Apolo (ou o Templo de Zeus a 3 km da cidade). Mais recente da nossa era, a Catedral de Siracusa (séc. VII) foi construída sobre o grande Templo de Atenas na ilha de Ortigia; segue-se ao Castelo Maniace. A Basílica de Santa Lucia é da era bizantina, a Igreja de San Pablo ou a Igreja do Espírito Santo (séc. XVIII).
NOTO

Esplêndido fruto do barroco siciliano, sob influência dos espanhóis que dominaram a região. Depois do terremoto foi reconstruída em um lugar completamente novo. A simbólica entrada em Noto é a belíssima Porta Ferdinandea, de 1838, quando se recebeu a notícia da chegada de Ferdinando II de Bourbon, Rei das Duas Sicílias. Na parte mais nova, estão os edifícios e ruas de estilo barroco, palácios da nobreza, complexos religiosos como a Catedral de San Nicolò. A joia da arquitetura civil de Noto é o Palácio Ducezio, em frente à Catedral, com sinuoso perfil, construído no séc. XVIII e XIX. Em 1940, recebeu a adição de uma elevação que enriqueceu o edifício.
MODICA

No Val de Noto, faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO na Itália, caracterizada pelo florescimento da arte barroca. A cidade divide-se em Alta (mais antiga) e Baixa (na encosta do vale). Foi devastada por terremotos em 1613 e 1693, e reconstruída em 1693. Passou por inundações em 1833 e 1902. Imperdível são as paradas na Catedral de San Giorgio e a igreja de San Pietro (esta tem um campanário na fachada principal. Modica também foi a cidade natal do escritor Salvatore Quasimodo, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1959.
TAORMINA

Charmosa e encantadora, é uma das cidades mais visitadas da Itália, na costa oriental da Sicília, é orientada ao divertimento, ao relax e ao saber viver. Encravada sobre um ponto estratégico das encostas do Monte Tauro, tem vista panorâmica para o Mar Jônico (costa da Calábria) e o Vulcão Etna. Aos seus pés estão as belas praias de Giardini Naxos, Mazzarò, Spisone, Mazzeo e Letojanni. A maior atração é o Teatro Grego, na Vila Comunal.
Existem diversos monumentos romanos na cidade, entre eles o Naumachia, que significa batalha naval. Com 122 metros e elevação de 5 metros, acreditava-se que o monumento fosse uma arena cheia de água para encenar batalhas marítimas. No entanto, descobriu-se que era apenas um monumental reservatório de água. Dos antigos monumentos destacam-se as entradas da cidade: Porta Messina, Porta Catânia e a Porta di Mezzo. Duomo é a principal igreja, construída nos anos 1400, com aparência de fortaleza. Uma das igrejas mais visitadas é o Santuário della Madonna Rocca, no topo do Monte Tauro, é parcialmente encravado na própria rocha, construído em 1640, aproveitando a estrutura da rocha que forma uma gruta.
O centro da cidade é repleto de lojas de artesanato, onde se compram várias lembrancinhas. Além das lojas, o centro também conta com uma rua onde ficam as maiores grifes de luxo da Itália.
CATANIA

Localizada na parte oriental da Sicília, entre o Mar Mediterrâneo e Jônico, é a segunda maior cidade da Sicília. Além disso, a “cidade cinza” como é conhecida, fica bem aos pés do Etna. Do período bizantino-normando restam o Castelo Ursino e a Catedral de Santa Agata - padroeira da cidade. Na Via Crociferi estão os monumentos em estilo barroco siciliano, entre eles: a Igreja de San Giuliano e a Igreja de San Benedetto, Palácio Biscari, Villa Cerami, o Palácio do Elefante (“U Liotru”, símbolo de Catânia), a Piazza Teatro Massimo, Piazza Duomo e Piazza Università.
CEFALÙ

Na rota do turista que chega por Messina, a caminho da capital siciliana (a 70 km), Cefalù já foi dominada por gregos, árabes e normandos. A cidade integra a lista das Aldeias Mais Bonitas da Itália. Procurada por suas praias com tons azuis, o maior atrativo é o centro histórico medieval, com ruelas estreitas, passagens cobertas e até um riacho de águas cristalinas correndo entre as casas. Como em toda cidade italiana, o Duomo, do séc. XII, é uma catedral maciça normanda ladeada por duas sólidas torres, com ricos mosaicos bizantinos no interior. Outra atração é a Rocca, enorme rochedo a 270 metros acima do nível do mar, domina a cidade, onde, no passado, existiu o Templo grego de Diana - um santuário coberto por lajes de pedra que abriga uma antiga cisterna do século IX a.C. Do alto tem-se uma belíssima vista da cidade. No verão, é invadida por turistas vindos de toda parte da Europa, por isso há muita animação na orla. Na rua que margeia a praia há vários restaurantes especializados em peixes e frutos do mar.
A cidade tinha uma estrutura urbana regular, com algumas estradas secundárias em forma de anel, que circundava a cidade. Quando os bizantinos tomaram o controle, a cidade mudou de lugar e, da época, restaram ruínas de fortificações, igrejas, quartéis, tanques de água e fornos. Apesar disso a cidade antiga não foi completamente abandonada e foi lá onde encontraram, há pouco tempo, um edifício de culto cristão, com piso de mosaico policromo e que remonta ao século VI. No Museu Mandralisca e na Biblioteca Malacologia estão reunidos objetos de arte bizantina, pinturas do séc. XVII e o famoso retrato do ‘Desconhecido’, obra atribuída a Antonello.
Cefalu também passou por domínio árabe, em 858, integrada ao Emirado de Palermo. Deste período, há poucos registros. Em 1063, foi conquistada pelos normandos e, em 1131, foi reocupada em sua parte antiga utilizando a estrutura abandonada. É dessa época monumentos importantes como a Igreja de San Giorgio e o lavadouro que fica na via Vittorio Emanuele, além disso, também datam desse período o claustro do Duomo e o Palazzo Maria (que no séc. XIV se tornou o Palazzo Comunale). A história subsequente da cidade pode ser assimilada à da Sicília.
Uma visita ao Osterio, o grande monumento do séc. XIII, foi a residência de verão de uma nobre família local; o Ventimiglia; o Teatro Cícero; caminhada ao longo do Corso Ruggero, a Igreja do Purgatório, de 1668, onde ficam os restos mortais do Barão Enrico Piraino de Mandralisca; e Praça Garibaldi e sua torre sineira permanece das antigas muralhas megalíticas da cidade.
Arquipélagos da Sicilia
Ilhas EÓLIAS ao norte:
- Lipari: a maior ilha, com ruínas históricas, praias e o Museu Arqueológico Eólico;
- Vulcano: famosa por suas fontes termais e banhos de lama naturais, além de trilhas até a cratera de um vulcão ativo;
- Stromboli: outra ilha vulcânica com erupções regulares que podem ser vistas à noite, atraindo amantes de aventura e vulcanologia;
- Panarea: Pequena e sofisticada, conhecida por atrair celebridades e oferecer uma vida noturna animada.
Ilhas Egadi estão a oeste da Sicília, próximo a Trapani, com águas cristalinas e natureza preservada. Favignana é a maior ilha, famosa pelas praias de areia branca e águas azul-turquesa, além de seu passado na pesca de atum. Levanzo é pequena e tranquila, ideal para mergulho e caminhadas. Marettimo é conhecida por trilhas e cavernas marinhas, é um destino para quem busca natureza intacta.
Ilhas Pelágias são um arquipélago mais ao sul da Sicília, próximo à Tunísia. Lampedusa é famosa pela Spiaggia dei Conigli, considerada uma das praias mais belas do mundo. A ilha também é um santuário de tartarugas marinhas. Nos últimos anos, tem sido porto de chegada de imigrantes ilegais oriundos do norte da África.
Obras de CARAVAGGIO na Sicilia

Entre 1608 e 1609, ele havia sido condenado por assassinato em Roma, era procurado por credores e maridos traídos em toda a península italiana e, por fim, foi perseguido pelos Cavaleiros de Malta no mar Mediterrâneo. De algum modo, Caravaggio conseguiu chegar à Sicília, onde graças aos contatos do velho amigo Mario Minniti, uma lista de ricos nobres sicilianos fez fila para pagá-lo generosamente por suas obras.Em suma, tendo traído seus companheiros malteses e usando o último de seus favores políticos em Roma, seu pincel lhe deu uma última chance de salvação na Sicília.
- O mistério do quadro de Palermo: contratado pela Ordem Franciscana para pintar a obra Natividade com São Lourenço e São Francisco, Caravaggio pintou o “Oratório de San Lorenzo”. Esta magnífica obra embelezou o oratório de Palermo até o dia 17 de outubro de 1969. Aproveitando a ausência de um sistema eficaz de vigilância, ladrões entraram por uma porta lateral do Oratório, abrindo-a com uma pequena arma e roubaram o quadro de Caravaggio. A invasão foi muito simples, o roubo rápido. Tomavam conta do oratório apenas duas senhoras, que dormiam no andar superior. Sem dúvida, a obra-prima de Caravaggio terá passado por mercados clandestinos ou pelas luxuosas mansões dos chefões da máfia. Algumas revelações atribuem a alguns mafiosos a venda da obra-prima retirada do Oratório de San Lorenzo. Posteriormente, a pintura, que tem um valor estimado de 30 milhões de euros, chegaria ao mercado negro de antiguidades suíço. Em suma, a obra jamais foi encontrada. O que se vê atualmente é uma cópia. A reprodução foi realizada em 2015 pela Factum Arte, especialistas em cópias artísticas fiéis, com base em apenas uma fotografia de 1967.
- Em Siracusa: a pintura “Il Seppellimento di Santa Lucia” estava no Museu Palazzo Bellomo, e agora na igreja de Santa Lucia alla Badia, na espetacular Piazza Duomo, em Ortigia.
- Em Messina, no Mu.Me: Caravaggio recebeu seu maior pagamento até então, o triplo do valor que vinha recebendo em Roma, de um rico comerciante chamado Giovan Battista de ‘Lazzari. Dessa forma, inspirado pelo sobrenome deste cliente tão generoso, ele começou a pintar um retábulo para a capela da família chamado “A Ressurreição de Lázaro“. No entanto, o produto final foi tão sombrio quanto o humor do artista naquela época. De fato, 90% da tela é escura, ou seja, a escuridão da morte da qual Lázaro ressuscitaria. Além disso, considera-se essa pintura uma das mais representativas dos últimos anos de Caravaggio, dedicada a uma maior experimentação com a luz, agora quase tendendo a “apagar” os personagens.
- Encomendado pelo Senado de Messina, Caravaggio fez o retábulo para a igreja de Santa Maria della Concezione, com a obra “Adoração dos Pastores”, uma das obras mais bem pagas da carreira de Caravaggio. A cena se passa dentro de um estábulo com Maria, exausta da viagem e do parto, deitada no chão segurando o bebê adormecido no colo. Não há enfeites ou detalhes supérfluos e o único presente é o cesto que vemos em primeiro plano à esquerda, contendo um pão, um pedaço de pano e uma ferramenta de carpinteiro. Restaurado em 2009, a obra é notável por sua representação humilde da Sagrada Família. Esta aparece semi-deitada no chão de terra, em uma cabana sombria de um estábulo.
Caravaggio faleceu em 1610, em Porto Ercole, onde tentou resgatar 3 pinturas que deixara no navio que seguia de Nápoles a Roma, onde tinha recebido o perdão por seus crimes.
VINÍCOLAS da Sicilia

- Gambino Vini, próxima ao Monte Etna, com opções de degustação para grupos e casais;
- Marabino, em Siracusa, produz vinhos orgânicos e oferece visitas guiadas com degustação;
- Benanti Winery, a mais tradicional, é possível conhecer o processo de produção e a história dos vinhos.
- Florio, a mais antiga da Sicilia (séc. XIX e XX), em Marsala (ao lado das salinas de Trapani), seu fundador desvendou o segredos dos ingleses (os inventore do vinho). Em 1924, foi vendida à família Cinzano. Em 1998, passou à holding do licor Di Saronno, e em 2002, foi integrada ao grupo Duca di Salaparuta
O que comer na Sicília
Sua culinária sem igual é rica e variada, influenciada por diferentes culturas que passaram pela ilha ao longo dos séculos. Experimente as mais típicas:
- Arancini: bolinhos de arroz fritos em formato de bola, geralmente recheados com carne, queijo ou vegetais;
- Panelle: bolinhos fritos de farinha de grão-de-bico, muitas vezes servidos em sanduíches;
- Cannoli: sobremesa em forma de tubo, com massa crocante frita e recheada com ricota doce ou creme de chocolate;
- Caponata: salada fria de berinjela, aipo, cebola, tomate e azeitonas, temperada com vinagre e açúcar.
- Pasta alla Norma: massa com molho de tomate, berinjela, ricota salgada e manjericão.
- Sfincione: pizza siciliana de massa alta, coberta com molho de tomate, queijo, cebola e anchovas.
- Pesce spada alla ghiotta: peixe-espada guisado com tomate, azeitonas, alcaparras e vinho branco.
- Granita: sobremesa refrescante de gelo raspado e suco de frutas, geralmente servida com brioche.
Evite as comidas de rua, típicas em Palermo, se não aprecia os miúdos, víceras e frituras ... Antigamente, os ricos compravam os melhores cortes das carnes de bovinos e suínos, e os pobres ficavam o “quinto quarto” (sobras que seriam descartadas).
Fontes: experiência em viagem, complementada por organismos de turismo regional.
Romy Daher - São Paulo, dezembro de 2025.